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História da Acupuntura

Introdução

A história da Acupuntura é indissociável da história da Medicina na China. Há que se recordar que a cultura chinesa tem a mais antiga tradição de linguagem escrita (desde 3100 AC). Isto permitiu a transmissão de conhecimentos entre gerações, sem a deturpação típica da tradição oral. Na China, a história, período após o surgimento da escrita, é anterior à idade dos metais.

“Acupuntura é tudo de bom! Alívio e cura! Há muito tempo sofro de coluna (2 hérnias de disco). Só me sinto bem fazendo acupuntura.”

Roberto | Paciente Instituto Tai Yang

Idade antiga

Em achados datados da Dinastia Shang , cerca de 1000 AC, já havia agulhas de bronze.

A medicina chinesa começou seu desenvolvimento documentado na era da Dinastia “Zhou”, de 1027 AC a 221 AC. Naquele período, a medicina chinesa evolui de uma medicina xamânica , onde as doenças eram consideradas obras de espíritos demoníacos, para uma medicina mais evoluída, com embasamento filosófico. Durante o período chamado de “Média Era Zhou”, de 772 AC a 480 AC, o confucionismo estabeleceu-se como um dos três pilares filosóficos da medicina chinesa (Confucionismo, Taoísmo e Budismo). Deste período vem a noção de que os atos de uma pessoa afetam diretamente a sua saúde, afastando a ideia de que as doenças eram de origem demoníaca.

Antigo documento taoísta chinês.

Durante a “Era Zhou Tardia” de 480 AC a 221 AC, surgiu na China o Taoísmo. Data desta era uma das mais significativas diferenças entre a medicina Chinesa e a Ocidental. A persistência de antigas tradições mágico-demoníacas da Medicina Chinesa foram mantidas, junto a conceitos mais modernos de etiopatogenia.

Esta característica de manutenção de antigos conhecimentos junto a novos, é algo que a construção substitutiva da medicina Ocidental não soube fazer. No ocidente, o conhecimento moderno apaga o antigo. Na tradição Chinesa, o conhecimento antigo não é desprezado, mas fica armazenado, para referência.

A persistência deste conhecimento, em nossos dias, leva alguns praticantes de Medicina Chinesa a desconsiderar o conhecimento científico moderno, atendo-se ao caráter místico do conhecimento antigo. Tal fato deve ser visto com cautela. Um exemplo desta afirmação é a antiga prescrição de Acupuntura para apendicite aguda [1] , que, sendo eficaz para aliviar a dor, sem o correto diagnóstico, pode retardar o tratamento cirúrgico, com grandes prejuízos para o paciente.

Em seguida, a dinastia “Qin” de 221 AC a 206 AC, embora conhecida como período de “queima de livros”, teve o mérito de adotar a moeda e sistematizar pesos e medidas, construir estradas e organizar a escrita, promovendo o crescimento econômico e cultural para a Dinastia Han, de 206 AC a 220 DC. .

Datam desta época, três livros importantes da Medicina Chinesa. O Ma Wang Hui’, o Nan jing (clássico das dificuldades) e o Huang Di Nei jing,o livro do imperador amarelo. Foi redigido entre o primeiro e segundo séculos antes de Cristo, como uma compilação do conhecimento médico então existente. Escrito como se fosse pelo mítico “Imperador Amarelo”, que teria vivido entre 2698 AC a 2598 AC, é dividido em dois livros. O primeiro, Su Wen, questões fundamentais, discorre sobre a teoria médica da época. O segundo livro, Ling Shu, ou eixo espiritual, é um manual de acupuntura. Os dois livros tratam da aplicação dos conceitos de Ying e Yang na medicina, da teoria dos cinco elementos (ou cinco movimentos), descrevem a teoria dos meridianos, tratam do conceito do Qi e atribuem definitivamente aos sintomas causas orgânicas ao invés de causas sobrenaturais.

Durante a Dinastia Han, a fisiologia foi compreendida como a inter-relação entre os sistemas orgânicos.

Idade Média

Entre 220 e 589, a China passou por novo período de instabilidade política. A introdução do budismo, embora pouco tenha modificado as práticas médicas então vigentes, introduziu o conceito de manutenção da saúde pela prática de exercícios físicos e de meditação. É desta época o livro Zhen Jiu Jia Yi Jing que é um texto clássico da acupuntura e moxibustão. Detalha os meridianos, os pontos e as técnicas de tratamento por acupuntura e moxibustão.

Também deste período é a expansão da acupuntura para o Japão, Coreia e Vietnam. Na curta Dinastia Sui, de 590 a 617, o médico Sun Si Miao combinou as teorias taoístas e budistas com a correspondência sistemática entre os sinais, sintomas e as doenças. Também descreveu vários pontos de acupuntura localizados fora dos meridianos tradicionais, chamados de “Pontos Extras”.

A dinastia Tang (618 a 906) é conhecida como a segunda idade do ouro na China. O império foi unificado. Os pilares filosóficos (Confucionismo, Taoísmo e Budismo) e o contato com outras culturas fizeram a China crescer intelectualmente. Nos outros países do oriente, a acupuntura ganhou terreno e foi bem estudada. Em 702, é fundada a primeira escola médica imperial, em Nara, Japão, onde se ensinou a acupuntura. Entretanto, o desenvolvimento da acupuntura, na China no período Tang, foi modesto. Isto, porque a grande preocupação dos imperadores, era que se desenvolvessem elixires da longevidade.

A dinastia Song (960 a 1264)foi um período chamado de Neo-confucionismo. O conceito de Qi tornou-se outra vez popular e os princípios básicos da Medicina Chinesa ficaram bem estabelecidos em todas as áreas, acupuntura e moxibustão, farmacoterapia, nutrologia, etc. Em 1255, com a “Viagem à Terra dos Mongóis”, o europeu William de Rubruk já fazia referências à acupuntura.

Caminho das almas. Tumbas da Dinastia Ming. Beijing.China.

A Dinastia Yuan, de 1264 a 1368 é o período durante o qual a China foi dominada pelos mongóis, liderados por Gengis-Khan. O neoconfucionismo prosseguiu e a acupuntura, também progrediu. Em 1341, o médico “Hua Shuo” publicou Shi Si Jing Fa Hui. Este texto descreveu 303 pontos dos chamados 12 meridianos regulares e 51 pontos em dois meridianos extraordinários, totalizando 657 dos 670 pontos clássicos de acupuntura.

A dinastia Ming, de 1368 a 1644, foi o período de consolidação do conhecimento médico chinês e, consequentemente, da acupuntura. Entre 1518-1593 o médico Li Shizhen publica Compêndio de matéria médica (Ben Cao Gang Mu) com recomendações da moxabustão para esquentar os canais e eliminar o frio e umidade. Inclui detalhada descrição da farmacopéia até então conhecida, reunindo 443 produtos derivados de animais; 1074 substancias vegetais e 354 produtos minerais.

Idade Moderna

Monges Jesuítas, a partir do século XVI, cunharam o termo, em língua portuguesa, que significa “Punção com agulhas” perpetuando um erro de tradução.[4] Em Chinês, “Zhen Jiu” significa, literalmente, “Agulha e Moxa”. Moxa é bastão de artemísia, enrolado como um charuto, usado para aquecer o ponto de acupuntura.

Em meados do século 18, um médico chinês interessado em recuperar o saber médico da antiguidade, relatou que entre as dificuldades que encontrou, estava a escassez de livros no assunto. Em 1822, o status da acupuntura ficou seriamente comprometido, com o decreto imperial que bania o ensino e a prática da acupuntura da Academia Médica Imperial, a instituição que fornecia médicos para a família do imperador.

A Dinastia Qing, que durou de 1644 a 1911, não foi um período de grande desenvolvimento para a acupuntura e moxibustão, constituindo-se de modo geral, em período de estabilização e continuidade em vários aspectos.

Além das lendárias descrições feitas por Marco Polo (1254-1324) e dos citados jesuítas as primeiras referências médicas da acupuntura no ocidente estão associadas às descrições de Andreas Cleyer (1634–1698) que publicou em Frankfurt, 1682, uma descrição da acupuntura no seu “Specimen Medicinae Sinicae, sive Opuscula Medica ad Mentem Sinensium” [6] e do médico, anatomista, bibliotecário, botânico e reformador holandês Gerard van Swieten (1700–1772) que já interpretava o efeito da acupuntura como um fenômeno neurológico, sendo seu uso indicado para o alívio da dor. [7] Segundo Jacques, 2006 [8] Van Swieten (1755) e Rougement, que estudou a acupuntura na ótica das teorias da contra-irritação (1798), podem ser considerados os precursores das pesquisas sobre acupuntura em neurociência.

A influência da medicina ocidental no desenvolvimento da medicina tradicional chinesa ainda está por ser avaliado inclusive quanto às questões da restrição da prática da acupuntura no território chinês nos finais do séc. XIX como veremos adiante.

Idade Contemporânea

No século XIX, a dificuldade de comunicação com a China não impediu que a acupuntura fosse praticada e estudada por médicos ocidentais. [9] [10] [11] [12]

Pesquisas médico-científicas foram publicadas também no início do século XX.[13] Entre 1939 e 1941 foi publicado na França o livro L’acuponcture chinoise [14] do diplomata e cônsul francês na China Soulié de Morant (1878-1955) que se interessou por essa técnica ao ver sua aplicação e efeitos durante a epidemia de cólera em Beijing. Seu livro “A acupuntura chinesa”, teve como referências antigos textos chineses como Zhēnjiǔ Dacheng (针灸 大成), possui várias traduções e reedições e ainda hoje é considerado uma obra clássica sobre a acupuntura.

No início da década de 1930, o médico e professor universitário Cheng Danan (1898-1957) utilizou referências anatômicas para reabilitar a acupuntura como uma prática médica. Enfatizou o fato de ser uma terapia médica eficaz, porque o seu mecanismo de ação era a estimulação dos nervos. No livro que publicou em 1932, apresentou uma localização dos pontos – antes usados para sangrias – fora dos vasos sanguíneos, associando-os aos trajetos nervosos. O livro era ilustrado com fotografias de voluntários, em cuja pele foram desenhados os novos traçados das linhas que comunicavam os pontos de acupuntura. O livro, que teve diversas edições entre 1930 e 1960, ajudou a conferir à acupuntura credibilidade suficiente para que fosse oficialmente incorporada ao ensino e à prática da medicina.[15]

Persistia, porém, a carência de mais informações sobre o modo como a acupuntura era praticada na China, havia notícia sobre sua proibição no final do período imperial (1822) quando foi excluída do Instituto Médico Imperial por decreto do Imperador. Apesar da proibição foi mantida como interesse acadêmico, costume e tradição sobretudo nas áreas rurais ao ponto de ser novamente proibida (1929) durante a república, juntamente com outras formas de medicina tradicional por uma crescente ocidentalização ou adoção da medicina cosmopolita.

O grande marco da história da acupuntura na primeira metade do século XX foi a Revolução Chinesa, que inclusive cerrou as portas da China ao Ocidente. Há controversas informações sobre a manutenção da proibição da prática da acupuntura pelo Partido Comunista da Chinês, que a considerava um símbolo do antigo regime imperial. Noticias de que os intelectuais foram perseguidos, e as escolas de Medicina que ensinavam acupuntura foram fechadas estão em franca contradição com o desenvolvimento do saber popular proposto na revolução cultural. . É fato que após 1949, quando Mao Tse-tung assumiu o poder, a China passou por um renascimento cultural e científico e a pesquisa e ensino da Acupuntura foram novamente permitidos e até incentivados, com a reabertura das escolas médicas chinesas, inclusive foi uma concepção patrocinada pelo Ministro da Saúde Pública da República popular da China a elaboração e publicação do livro dos 4 institutos (Zhongguo Zhenjiuxue Gaiyao, 1964).

Mas foi a partir de 1971, com o relato do efeito da acupuntura no tratamento das dores pós-operatórias do jornalista James Reston, que foi submetido a uma apendicectomia enquanto estava na China, e após 1972, com a visita do presidente norte-americano Richard Nixon àquele país, que a acupuntura passou a ser melhor estudada pelo método científico, no Ocidente, graças ao reatamento de relações internacionais que permitiu a melhor troca de informações entre os cientistas. Nos EUA, a FDA – Food and Drug Administration somente aprovou o uso das agulhas de acupuntura como dispositivo médico em 1996.

Fonte: Wikipedia

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